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2012/05/09

Uma dose de verdade no teu amor

Assisti a uma edição do Café Filosófico sobre o surgimento do amor no ser humano. A princípio deixaria a esmo, porém achei as ideias da psicanalista Ana Verônica Mautner bastante coerentes, e decidi passá-las adiante. Quanto a Contardo Calligaris, apesar de não concordar com sua crença na falta de instinto do ser humano, posso dizer que o ensaio que ele esboça no programa é bastante rico, gera bastante reflexão. No que diz respeito a Octávio almeida de Souza, posso dizer que a maioria das ideias expostas, mais do que os outros convidados, é baseada em teses de outrem, a citar Freud, Lacan e Winnicott. A intenção do programa é tentar responder ou ao menos iniciar o entendimento para perguntas do tipo: Como inicia-se o conhecimento do amor no ser humano? De onde provém esse sentimento? Quando ele surge e de que forma surge em cada um?

O vídeo está upado no fim do post, quem tiver paciência e quiser perder 45 minutos de seu precioso tempo, pode assistir na íntegra. Masss, quem curte ler, ou apenas quer saber as principais linhas de pensamento abordadas no “bate-papo”, seguem abaixo as principais ideias sobre como se funde o amor no ser humano. Lembrando que é apenas uma reflexão, não um manual a ser seguido, até porque na opinião dos filósofos e psicanalistas, é algo que se aprende no berço. Portanto, dado o trauma do parto, comece a entender sua bagagem cultural sobre o amor por meio de algumas coerentes teses.

“Será que o amor surge de forma espontânea ou aprendemos a amar como aprendemos a andar?”

Imaginamos que amar parte de nossa natureza humana, mas não o é.

Contardo Calligaris: “De instintivo no ser humano, não há mais nada”.
Amar não é instintivo. O único amor que pode talvez ser denominado “natural”, ainda que essa definição seja empregada de forma questionável, é o amor de mãe pelo filho e vice-versa. Sem esquecer e essa definição não pode ser generalizada, considerando que dependendo de determinadas circunstâncias, esse amor não se verifica.

“O amor romântico é uma invenção”

Ana Verônica Mautner: Aprendemos a amar em casa, a partir do nascimento. No começo, é tudo necessidade. Precisamos de água, alimento, estabilidade. A forma como somos pegos ao colo já influencia sobre nossa segurança ou insegurança.

Calligaris: “O amor também faz parte da bagagem cultural a que se vive.”

Há pais que amam de longe, há pais que esmagam seus filhos de beijos e abraços, há todo tipo de relação. E essas dependem da quantidade de influência cultural a que cada pessoa é exposta.

Parto = trauma – herança comum da humanidade

Chama-se o parto de trauma. É um dos pontos que mais nos fazem semelhantes.

Uma relação de amor é aquela em que a estabilidade pode ser refeita.

Relação proteger x ser protegido

“Quem não foi protegido, como será capaz de proteger?”

- Fazer leitura da necessidade do outro.

- não existe alegria na insegurança.

- Alegria não é euforia.

- Euforia é um disfarse da insegurança.

ver: T. S. Elliot

Os insubstituíveis não são amados, são temidos. Então super-proteção não é proteção. (?) Quer entender, assista o vídeo coleguinha.

Acumular boas lembranças é conhecer o lado bom da vida.
Os pais não precisam ser perfeitos, apenas suficientemente bons.
Uma pessoa que  não aprendeu a gostar do toque, não é sexualmente feliz, será autoritário na cama, não confia no toque do outro. Isso faz diferença no amor-paixão, no filho, no trabalho que irá realizar.

Amar se aprende no olho da mãe.

winnicott, 1957 “Os bebês e suas mães”

Amar só é possível sem o medo que o paralisa.

Adulto que empatiza e simpatiza ensina a amar.

Octávio Almeida de Souza: “Aprendemos as coisas por amor”

Freud: O édipo não é apenas o amor erótico, carnal.

Lacan: “O desejo do homem é o desejo do outro”.

winnicott: “o amor da mãe é fundamental para que o sujeito se forme”

Todos os analistas concordam que o amor é algo que se aprende, porém há toda uma reflexão acerca da definição “aprender”. Esta palavra é carregada de tantos outros “porém”, que somente assistindo ao vídeo se tem compreensão.

Hora de perder a preguiça e assistir:

http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=-6908950044998216990&hl=pt-BR&fs=true

2012/02/09

Cuidado com o que você deseja

Hoje eu acordei empurrando a tempestade, querendo inibir tudo o que há de mal em mim. Sem introduções à religiosidade, forte de quem conhece os seus limites, respeita-os, aceita-os. Forte já é quem só deseja conhecê-los. Quando eu ainda brincava com bonecas e fazia bolinhos de areia, ganhei uma caixa de papelão. Não dava para saber o que tinha dentro e a curiosidade não durou muito até que descobri lá dentro dezenas de livros para crianças.
Aparentemente, apenas algumas histórias para ler antes de dormir. Só que a gente descobre com o tempo que algumas coisas ficam na memória por anos e anos. Então, ao acordar hoje, me recordei claramente de uma história que me trouxe significado reflexivo na minha atual vida. Chama-se As sapatilhas vermelhas.
Se não conhece, vou contar por alto. Havia uma menina pobre que queria muito ter sapatilhas e ser bailarina. Seu desejo era tão, mas tão forte que um dia apareceu um mago, um bruxo, alguém com poderes, como em toda história infantil. Esse bruxo lhe ofereceu as tão desejadas sapatilhas. Só que, como tudo na vida possui consequências, as sapatilhas não mais deixariam de dançar.
A menina, cega pelo desejo, aceitou a proposta com os prós e contras. Só que  na verdade, ela não se deu conta dos contras. As sapatilhas satisfizeram sua vontade por um tempo e tudo o que mais desejava estava sendo realizado. A partir daí seus pés começaram a doer muito e o que era sonho transformou-se em pesadelo.
Isso acontece todos os dias, fora das histórias infantis. Queremos tanto determinadas coisas, desejamos com tanto afinco que não analisamos se é totalmente satisfatório, que consequências virão junto a elas e se podemos suportá-las. Nossa petulância, teimosia e insensatez em querer algo que não temos, nos faz cegar para o pacote completo.
Sem mania de filosofia ou querendo dar lição de moral a qualquer um, ponho-me numa situação bastante reflexiva sobre o desejo humano. O que motiva o desejo? Em que grau o desejo se encontra? Ele é analisado minuciosamente antes de ser buscado? Possuimos desejos momentâneos, porém alguns outros que podem definir rumos sérios de nossas vidas, transformando-as positiva ou negativamente para sempre.
A dica de hoje é: cuidado com o que você se deseja!

As sapatilhas vermelhas no skoob

2011/12/08

Papo de jornalista

Iniciou-se nesta última segunda feira, 28, as 19h15m uma palestra informal com o jornalista Vilmar Carneiro, na sala 201 do bloco 12 da Univali. Durante o bate-papo, Vilmar revelou aos estudantes do 5º período de jornalismo como é trabalhar na Rádio Aquarela FM em Barra Velha, como foi sua trajetória até tornar-se apresentador da rádio que apresenta 2h 30m de jornalismo por dia.

Carneiro, assim chamado pelos colegas de trabalho, é egresso da Univali formado em 1995. Passou pelas mais variadas vertentes da comunicação. Começou no Canal RCE – Rede de Comunicações El Dourado, trabalhando também na área impressa no Jornal A Notícia e O Diarinho. Após algum tempo trabalhando no jornalismo impresso, recebeu a proposta para tomar o posto da rádio, junto a um colega de profissão. Carneiro então se realizou profissionalmente com mais um meio de comunicação.

Com mais de 10 anos de profissão, o jornalista enfatiza que fazer jornalismo vai além do horário de fechamento de um veículo. “O jornalismo não acaba quando você sai do trabalho, não se pode pensar assim”, diz Vilmar. Carneiro ainda revela estar sempre antenado sobre o que acontece ao seu redor, desde quando inicia seu expediente até o trajeto a sua casa ao fim do dia. Não perde a curiosidade, o faro jornalístico mesmo fora de seu horário de trabalho. Na rádio não existe horário obrigatório de expediente, porém Vilmar diz sempre cumpri-lo naturalmente.

Acredita no compromisso de transmitir informação com veracidade, e para isso apura suas notícias o máximo possível. Sua rotina diária é parcialmente programada devido aos furos jornalísticos. Acordando as sete para o café, Carneiro sai para o trabalho de moto, pois acha mais prática e rápida no caso de precisar fazer uma apuração de emergência. “Não tenho hora para receber informação. Muitas vezes estou almoçando e o telefone toca, lá vai o Carneiro apurar uma notícia”.

Vilmar Carneiro produz e transmite 45 notícias por dia na rádio para, em média, 120 mil habitantes em toda a região próxima a Barra Velha. Apesar da aparente dificuldade de pautas na região, Vilmar diz acha-la muito rica em informação e ainda revela ser mais difícil eliminar as matérias que entrarão nos programas do que coloca-las. Próximo ao fim da conversa que durou 3 horas ininterruptas, o jornalista diz ver a profissão quase como um sacerdócio, algo a que você deve dedicar-se 24 horas diárias. Carneiro termina a palestra com um sorriso dizendo que pretende chegar aos 90 anos fazendo jornalismo.

2011/11/25

Maçã, Guto, baseados

Liguei pro Guto pra remarcar o horário, ele pediu pra levar o pen drive, perguntou se eu já estava chegando. Mordi a maçã, falei pro Guto que era do consultório, ele disse que ia ter de vir, surgiram problemas no segundo molar. Engoli a maçã, falei pra ele do meu novo relacionamento, perguntei por que diabos eu era tão fria algumas vezes. Comecei a pensar na loucura que era ter contado para o cliente do meu trabalho, pior, ter pedido conselhos para o cara que não me conhecia e tem interesse em ir pra Índia comprar cannabis “da boa”.

Quando voltei a mim já havia restos da maçã e mais duas sementes de pêssegos. Guto ainda estava ao telefone e falava algo sobre o diabo vir em breve. Soltei um grunhido, desliguei o telefone e o deixei falando sozinho. Como eu podia confiar em alguém que falava com a televisão? Desci com o lixo, ouvi os publicitários aqui da sala de baixo falando pra filhinha de um deles que não deveria entrar em carro de estranhos.

Pensei comigo, quando foi que alguém disse isso pra mim. Esta pessoa com certeza teria que ter dito ao estranho que não me desse carona, pois eu era mais estranha que ele. É, eu assumi o fardo da estranheza. Meu rostinho não engana mais ninguém, não convence nem a mim mesma, que tristeza. Eu passei a comer frutas, isso não é tão estranho. Acho que novos relacionamentos deixam as pessoas saudáveis. Bons relacionamentos te mudam sem você perceber. Quando viu? Já foi, e você se torna a menininha toda careta e brega(?). As pessoas passam a te estranhar, eu devia ligar pro Guto, dizer que não sou tão fria quanto eu pensava.

Vou deixá-los em paz agora, porque percebi que o Guto talvez esteja certo, e quando a gente dá razão pra um maluco, é porque a coisa está feia de verdade. Faltam cinco minutos pra dar o horário de comer, de dizer “dane-se o mundo da beleza física”. Talvez eu chame Guto pra almoçar, quem sabe ele me explique com propriedade aquela história da massagem intuitiva, talvez a gente fume um baseado. Mas eu não fumo baseados. Talvez já tenha fumado, mas não me lembro. Talvez eu esteja fumando agora…

2011/11/16

O bom filho retorna à casa

Show Pearl Jam

Percebi que havia dado um tempo na minha vida de jornalista quando me deparei comigo mesma enchendo um copo d’água até a borda. Jornalista é movido à cafeína. Será que eu estaria virando uma fracassada? Pois bem. Hoje, depois de aproximadamente três dias dentro do quarto, vendo a chuva apodrecer a madeira da janela, percebi que estava voltando ao normal.

Eu passei uns dias por aí, fui a São Paulo – ninguém sabe-, fui a Curitiba – quase ninguém sabe-, e me revezei entre a geladeira e a cama. Isso sim é vida de nômade. Parei de escrever, de pensar, dia desse eu fiquei em silêncio pra ver se não havia esquecido também de respirar. Me faltou tempo, falo sério. O que todos precisam saber é que estou bem. Eu ainda respiro, eu ainda vivo. Esqueça, não faz importância agora.

Eu não farei do blog um diário pessoal, mas umas florezinhas aqui ao lado ficariam bem. Não. Tudo bem, vamos ao que interessa. Minha vida corrida, com quatro empregos, terminou. Reservo-me a cuidar do consultório e fazer assessoria. Estou revisando um livro e isso é o mais próximo que tenho chegado do que me faz bem, ESCREVER. Vamos publicá-lo em breve e eu espero que fique muito bom.

Eu não sei o que lhe dizer mas prometo que, em breve, algo de útil ou inútil será colocado em prática. É isso aí, um abraço a você que não dava importância ao que eu escrevia, mas que vez a força de clicar no link.

Você é foda  uma pessoa legal, acredite.

2011/08/11

Marketing musical: um paulista cheio de ideias!

Hoje eu chego ao som de uma batida leve, totalmente paulistana, com influências do house tradicional e o mais interessante: qualidade. Sou adepta da boa música, seja Rock, MPB, Jazz, e a que vem ganhando muito espaço nas ultimas décadas, a música eletrônica. Pra falar de algo precisamos ter contato, e para gostar precisamos que seja bom. E como qualidade não se encontra em qualquer esquina da Avenida Paulista, para ilustrar a postagem de hoje, eu venho falar do meu talentoso amigo Cassio Borges.

Cássio subiu nas pick ups pela primeira vez como hobby aos 12 anos, mas foi aos 16 que pensou em ser um disc jokey profissional. Sempre gostou do gênero eletrohouse porém, como todo bom músico, ele eliminou a barreira dos estilos colocando seus ouvidos a serviço da black music por um tempo. Como a maioria dos djs em início de carreira, Cássio tocou muito em festas particulares e aniversários, para começar a comprar seus equipamentos eletrônicos.

E como todo bom filho retorna à casa, meu querido amigo voltou ao velho house, e claro suas vertentes. Passando a introduzir às suas track lists techno, tech house, deep house, Cassio começa a tocar em festas mais conceituadas, casas voltadas para o público exclusivamente interessado no tipo de som que ele trabalha, também em pvt’s, as famosas festas eletrônicas privadas que geralmente acontecem em locais distantes da cidade.

Hoje, quase dez anos depois, Cassio começa a produzir suas próprias músicas em seu estúdio. Junto de amigos djs, criou um programa online que acontece todas as terças feiras. O programa, intitulado TimeTronic é feito com a participação de djs convidados e começa a partir das 21 hrs. Cassio também está em um projeto recente chamado DopVolle, junto a David Gunter. Eu ouço o menino tocar desde 2007 e a evolução dele é impressionante, não indicaria algo de má qualidade para você querido leitor.

Portanto cá estão caminhos para que conheça os projetos DopVolle e programa TimeTronic. Página no facebook. Mas fiquem acomodados, abaixo você confere uma das produções do paulista.

Programa TimeTronic

Facebook Projeto DopVolle

2011/08/01

Mistura siriobaiana gera receita única: Waly Salomão!

Em primeiro lugar, vamos às realidades: estive indecisa sobre escrever about Waly Salomão ou Inglaterra. Confesso, pensei em deixar Waly de lado, mas cheguei à conclusão de que Londres não vai fugir de mim. Então vamos falar de alguém que nos deixou em 2003 com um acervo de músicas interpretadas por gênios, donos das melhores vozes brasileiras.

Waly Salomão, nascido em 1943 em Jequié, a 365 km de Salvador, morre aos 68 anos, já morando no Rio de Janeiro. Além de ser compositor de canções conhecidas por muitos, Waly também é citado como um grande poeta brasileiro. E, apesar de ser apontado como importante peça no quebra cabeças chamado contracultura, se dividiu entre a formação em Direito, Teatro e língua Inglesa, trabalhando também na produção de grandes álbuns de Cassia Eller e Caetano Veloso.

Dentre suas nove obras literárias, se destacam Algaravias – Câmara de ecos, que lhe rendeu o prêmio Jabuti em 1997 e Pescados Vivos, poesia publicada após sua morte, que foi indicada em 2005, também para o Prêmio Jabuti. Dentre suas obras, o multifacetário trabalhou em filmes com Marcello Dantas, e também foi admitido em 2003 para o cargo de Secretário do Livro e da Leitura, ao lado do Ministro da Cultura.

Waly Salomão era o retrato do povo brasileiro, com suas poesias regadas a muita regionalidade. Não há do que não se orgulhar, tendo como militante cultural, alguém tão disponível a compartilhar suas ideias realistas, seja em suas composições ou em seus livros. Entre suas obras mais conhecidas está o Remix do Século XX, feito junto a Adriana Calcanhoto. Sem esquecer uma das músicas brasileiras mais interpretadas. Abaixo segue vídeo de interpretação de uma de suas composições na voz de Jards Macalé, e ao fim do post mesma canção em dueto de Gal Costa e Zeca Baleiro.

Vapor Barato – Interpretada por seu parceiro de composição Jards Macalé

http://youtu.be/iMjgSptp1Zw

Quando comecei a pesquisar sobre Waly Dias Salomão, me recordei de seu nome em algum album. E apesar de não encontrar nada relacionado na web, acabei me recordando tempos depois que conhecia seu nome de uma produção da banda O Rappa. Há no álbum intitulado O silêncio que precede o esporro, uma gravação com aproximadamente 1:50min sobre ele. Abaixo segue o texto que pode ser encontrado em formato de áudio no album da banda.

                                                                                               Ilha de Edição

“Experimentar o experimental,

Experimentar o experimental!

A fala da favela.

O nódulo decisivo nunca deixou

de ser um ânimo

De plasmar uma linguagem;

Convite para uma viagem!

E agora? quer dizer…

O quê que eu sou?

Meu nome é: Wally Salomão,

(um nome árabe)

Wally Dias Salomão.

Nasci numa pequena cidade

da caatinga baiana. do sertão baiano.

Filho de pai árabe

E uma sertaneja baiana.

A memória é uma ilha de edição

A memória é uma ilha de edição

Nasci sob um teto sossegado,

Meu sonho, era um pequenino sonho meu

Na ciência dos cuidados fui treinado.

Agora, entre o meu ser e o ser alheio,

a linha de fronteira se rompeu.

A linha de fronteira se rompeu!

Câmara de ecos.

Eu tenho o pé no chão,

Porque sou de virgem.

Mas, a cabeça,

goste que avoe.”

Então, acho que já dei uma canseira em vocês. O post hoje foi tão inspirador que acabei me alongando. Tem muita informação sobre ele e na verdade muita produção, ou seja, o cara era talentoso, a verdadeira face brasileira. Se vocês estiverem interessados em mais informações sobre as obras dele, encontrarão no site oficial [walysalomao.com.br]. Ou nada que uma passada no google nosso de cada dia não resolva.

http://youtu.be/W23OicNsKJ8

Abraços afetuosos.

Fontes para esta postagem: google.com.br(banco de imagens); walysalomao.com.br; letras.mus.br; wikipedia.org; blog peaceful mind;

2011/07/21

Retrato de um 1980 brasileiro

Olá!

Eu adoro livros velhos e com cheiros de mofo das bibliotecas, acho que é um dos meus males. Encontrei um Henfil, e apresento a vocês um texto a princípio da década de 1980. Década de 1980, não esqueçam desta data. Pois será importante lembrá-la ao fim da leitura, quando começará a refletir se ele, o texto, é perecível ou não. Sem mais delongas.

“Joílson de Jesus nasceu pobre. Quer fazer o favor de ler de novo? Joílson de Jesus nasceu pobre. É possível isto? Alguém já nascer pobre? É! Isto quer dizer que Joílson nasceu marcado feito gado para o resto da vida: POBRE. Isto quer dizer que, apesar de não ter cometido nenhum crime, Joílson nasceu condenado. Sem direito a sursis. Isto que dizer que, em vez de leite, beberia água de esgoto; no lugar de escola, frequentaria as academias da FEBEM. Em lugar de cobertor, dormiria coberto pelo estigma da cor. Joílson era um negrinho. Pobre e negrinho. Quer dizer que, quando o Natal chegasse, Joílson teria que fechar os olhos e ouvidos à orgia de anúncios de maravilhosos brinquedos, gostosos panetones, luxuosas roupas e fantásticos jogos eletrônicos. E as mulheres deliciosas, cheirosas e belas que também se anunciavam? Quer dizer que Joílson, no Natal, teria que virar também um eunuco. Pobre, negrinho e eunuco. Aos 15 anos, Joílson sabia que teria a mesma sina do seu bisavô, do seu avô, do seu pai, do seu neto e do seu bisneto: trabalharia dezoito horas por dia para nada. E resolveu a exemplo do que via nos altos escalões, arrancar correntes de ouro do pescoço dos outros. Agora, deve ter pensado, terei videogames, panetones, contas na Suíça. Abrirei uma financeira e, quem sabe, serei até um presidenciável. Joílson se esqueceu que seu crachá era de pobre, negrinho e eunuco. Foi agarrado por um procurador do Estado e pisoteado pelo esquadrão de locutores de rádio até soltar pela boca um líquido verde. Não, não vomitou, porque nada tinha no estômago. O verde era da bílis. E, pela madrugada AM, ouviram-se os urros de triunfo dos Tarzans do rádio: – Ao ter sua espinha partida, o canalha, o safado, o pivete, o trombadinha, o bandido urinou nas calças! Joílson morreu como nasceu: pobre. Mas seus filhos e netos e bisnetos escaparam de sua sina, simplesmente porque não vão nascer. Mas o esquadrão da notícia, em texto plantado num jornal colarinho-branco, continua soltando sua bílis. Quer agora linchar a Igreja por terem seus bispos rezado por Joílson. E a Talita? E o bebê assassinado por um desses Joílsons? Parecem querer dizer: olho por olho. 1 x 1! Ah! Então é jogo? Luta de classes? Se é guerra, é guerra. Porque morrem mil crianças de subnutrição por dia no Brasil. E em 84 morrerão 3 milhões de Joílsons só no Nordeste. Assim procuradores de Estado e esquadrões do rádio e do papel anotem o placar correto: 3 milhões x 1! E vão-se os pescoços, ficam os cordões de ouro.”

Henfil. Sem mais. E há quem diga que era na década de 1980… Eu ouso dizer, me soa a um 2011 tipicamente braileiro.

2011/07/18

Com vocês, Jeff Buckley!

 Sabe um cara que você tem que fuçar muito pra achar arquivos, tem que ter recebido indicação de alguém pra descobri-lo… Então, Jeff é o tipo de pérola que você não encontra nas top lists dos sites. E de tão garimpado assim, o cara vai pras telas holliwoodianas. Muitos nomes conhecidos já incluiram e ainda incluem suas músicas nos shows.

 O norte americano nascido em Anaheim na Califórnia, se influenciou pelo blues, rock e jazz desde a adolescência.  Decidindo destoar da carreira paterna, Jeff ao invés de cantar decidiu ter como ‘arma de guerra’ a guitarra. Tocou em bandas de funk, jazz, punk e como todo jovem, trabalhou em outras áreas e também foi demitido. Após sair da banda de Gary Lucas e decidir tocar num bar novaioquino, Jeff é descoberto pelo empresário da Columbia, gravando após turnê pela Europa seu primeiro e único albúm de estúdio.  O albúm intitulado Grace vai à venda em 1994, recebendo críticas positivas de Paul McCartney, Jimi Page e Chris Cornell.  Em 1996, Buckley começa produção de novo albúm com Tom Verlaine da Television, mas albúm só é lançado em 98, após sua morte.

Outro ponto marcante do cantor é sua morte precoce. Jeff nadava no rio cantando “Whole lotta love”, do Zeppelin enquanto seu amigo Keith Foti guardava algumas coisas no carro. Seu corpo foi encontrado cinco dias depois, perto na nascente do Mississipi. Aos 31 anos, Jeff entra pra lista dos cantores que morrem cedo, junto a Hendrix, Morrison e Joplin.

Além do póstumo “Sketches for My Sweetheart the Drunk”, ainda foram lançadas compilações do cantor em lives e gravações de estúdio. Além de homenagens e covers de suas músicas, será produzido, com citei no início do post, um longa metragem pela Smuggler Films contando a relação conturbada que Jeff tinha com o pai, o cantor de folk Tim Buckley. Parece que recentemente a produtora confirmou depois de tantas especulações, o ator que fará papel do cantor. E o que não me agrada( mas né) é que o ‘astro’ Penn Badgley foi o escolhido para protagonizar o longa que será chamado Greetings from Tim Buckley (Saudações de Tim Buckley). O filme será dirigido por Dan Algrant, diretor de O articulador(Al Pacino).

Jeff ainda tem um DVD gravado em Chicago no Cabaré Metro em 1995, aproximadamente dois anos antes de sua morte. Bem, pra não me alongar mais do que já me fiz neste post ESPECIAL, apresento a quem não conhece o som do cantor que, apesar ter morrido cedo, conquista fãs até hoje.

Grace, música homônima ao cd.

 

 
See ya, até a próxima.

2011/07/06

O velho safado

Hoje o post é especial, babaceira de ovo total! Já li três livros desse cara, e não adianta tentar mudar, pois foi amor à primeira página. A verdade é que o velho Buk fascina qualquer um. Bem, talvez não mas o velho safado sabia como conduzir uma história.

É de Charles Bukowski que estou falando, o alemão que se mudou para Los Angeles aos três anos de idade. Filho de pai americano e mãe alemã, Bukowski nasceu em Andernach em agosto de 1920. Autor de livros como Crônicas de um amor louco, Notas de um velho safado e o conto mais popular A mulher mais linda da cidade, Charles teve uma infância atormentada por um pai aurtoritário, encontrando no álcool e nos livros a porta de fuga de uma vida insuportável.

Bukowski, após parar os estudos de jornalismo, e tendo começado a escrever aos 15 anos, tem seu primeiro livro publicado em 1955. Tem mais de 50 livros publicados, e apesar de ter traços semelhantes, é erroneamente associado à geração Beat. Buk consegue desfrutar um pouco da tão almejada fama, morrendo em 1994 ao 73 anos. Charles Bukowski está enterrado no Grinn Hills Memorial Park em Los Angeles, sob o seguinte Epitáfio: Don’t Try.

O último livro que li do velho é Pulp, também o último livro que ele escreveu. Com certeza merece ser indicado, o livro é uma obra prima. Para terminar, aí vão algumas das frases mais conhecidas de Charles Bukowski.

“É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.”

“Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.”

“Se você vai tentar, vá até o fim. Caso contrário, nem comece”

“A vida me fode, não nos damos bem. Tenho que comê-la pelas beiradas, não tudo de uma vez só. É como engolir baldes de merda.”

“O assunto mais importante do mundo pode ser simplificado até ao ponto em que todos possam apreciá-lo e compreendê-lo. Isso é – ou deveria ser – a mais elevada forma de arte.”

Frases

Dá pra ter noção do estrago que o escritor faz. hehe

Espero que tenham gostado de conhecer um pouquinho de um dos meus escritores preferidos. Até mais. Beijos.

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